Resumo Minuto Regional
A sanção da nova lei de minerais críticos, ocorrida em 16 de outubro, marca uma mudança estratégica para o agronegócio brasileiro ao incluir fertilizantes fosfatados, potássicos e nitrogenados entre as prioridades nacionais. A medida visa reduzir a dependência externa do país, que atualmente importa mais de 85% dos adubos que consome. Em 2025, o volume de importação atingiu o recorde de 45,5 milhões de toneladas, deixando o custo de produção nacional vulnerável a variações cambiais, fretes marítimos e instabilidades geopolíticas.
Para o produtor rural, a nova legislação oferece três benefícios diretos. Projetos de mineração e fábricas de fertilizantes passam a ter prioridade na análise governamental e acesso facilitado a garantias e títulos de financiamento. Além disso, o setor contará com um fundo garantidor e créditos fiscais que totalizam R$ 7 bilhões. O objetivo é estimular a produção interna, diminuindo a exposição do agricultor aos preços internacionais. O impacto é significativo, dado que fertilizantes representam, em média, 23% dos custos de lavouras como soja, milho e algodão, podendo chegar a 46,7% do custeio da soja em Mato Grosso na safra 2026/27.
O debate sobre essa política ganhou força durante a Climate Week, em Nova York, onde o Brasil foi destacado por possuir ativos estratégicos como minerais críticos, terras agricultáveis e uma matriz elétrica limpa. A inclusão dos fertilizantes na lei foi considerada uma oportunidade bem aproveitada, já que o tema ganhou tração ao ser associado à corrida global por minerais para baterias e inteligência artificial. Agora, a responsabilidade de definir quais projetos serão priorizados cabe ao conselho nacional criado pela norma.
A sustentabilidade também foi pauta central, com o Brasil servindo de exemplo de como biocombustíveis podem unir viabilidade econômica e redução de emissões. O etanol de cana e o biodiesel, derivados de coprodutos do campo, demonstram que a produção de energia pode ser competitiva sem comprometer a oferta de alimentos. A integração entre usinas de etanol de milho e a produção de ração animal, por exemplo, reforça a eficiência desse modelo.
Além disso, a expansão de data centers no país abre novas frentes para o setor, já que as novas regras de incentivo exigem o uso de energia renovável. Isso cria demanda por biomassa, biogás, palha, bagaço de cana e dejetos animais. O próximo passo para o setor produtivo é a implementação prática da lei, com a abertura de minas e a instalação de plantas industriais que permitam entregar o insumo diretamente na porteira, garantindo maior previsibilidade financeira e menor pegada de carbono para a safra brasileira.
Contexto da publicação
- Tema: Agro.
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