Resumo Minuto Regional
Mayara Natale de Araújo, de 38 anos, busca na esfera pública apoio para reencontrar a filha, com quem não mantém contato desde março de 2023. A separação ocorreu após uma denúncia de abuso sexual registrada pela outra mãe da criança, que era casada com Mayara. O caso tramita em segredo de Justiça na 1ª Vara da Família e Sucessões de São Vicente, no litoral de São Paulo, e envolve questões complexas sobre a guarda e o histórico familiar das partes.
O processo teve início após a outra mãe relatar mudanças no comportamento da filha ao Conselho Tutelar, a autoridades policiais e em atendimentos médicos. Durante a tramitação, foram realizados exames e avaliações para apurar a denúncia. Na sentença, o juiz responsável concluiu que não existem provas robustas e inequívocas da prática de abuso sexual que justificassem a perda do poder familiar de Mayara, motivo pelo qual esse pedido específico foi rejeitado pelo Judiciário.
Apesar de descartar a destituição do poder familiar, a Justiça manteve a guarda unilateral da criança com a outra mãe. A decisão baseou-se em um estudo psicossocial que apontou ansiedade e medo por parte da menina diante da possibilidade de retomar o convívio com Mayara. O magistrado também pontuou, em sua análise, que certas circunstâncias do relacionamento entre mãe e filha apresentaram fragilidades quanto aos limites e fronteiras de intimidade adequados para a idade da criança.
Mayara, que é ativista da Associação Brasileira de Intersexos, alega que o processo e o afastamento possuem relação com sua condição de mulher intersexo, afirmando que sua identidade biológica e traumas de infância foram utilizados no decorrer da disputa judicial. A defesa, representada pelo escritório BF França & Borgomoni Advogados, sustenta que há uma violência institucional no caso, argumentando que o Poder Judiciário não possui conhecimento técnico sobre a identidade intersexo.
Atualmente, o processo encontra-se em fase de recurso. A defesa de Mayara confirmou que pretende questionar a decisão de manutenção da guarda unilateral junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, buscando reverter o cenário atual na segunda instância. Enquanto o recurso tramita, a sentença original estabeleceu diretrizes específicas para o futuro da relação entre a mãe e a criança.
O cronograma judicial determinou que a criança passe por acompanhamento psicológico durante os próximos seis meses. Ao final desse período, uma nova avaliação psicossocial será realizada para verificar se há condições de retomar a convivência entre Mayara e a filha. Caso a reaproximação seja autorizada pelos especialistas, a determinação judicial prevê que o contato ocorra de maneira progressiva e assistida, visando resguardar o bem-estar da menor.
Contexto da publicação
- Localidade: Franca/SP.
- Tema: Saúde.
- 1 fonte consultada nesta publicação.
Este resumo editorial foi elaborado a partir das referências listadas. Para conferir detalhes, contexto completo e atualizações, consulte a publicação original.




