Resumo Minuto Regional
O primeiro leilão de compra de arroz destinado à formação de estoques públicos, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quarta-feira (16), registrou uma adesão muito abaixo do esperado. O pregão eletrônico, conduzido por meio do Sistema de Comercialização Eletrônica da entidade, resultou na aquisição de apenas 4,05 mil toneladas do cereal, o que representa somente 5,1% do volume total que o governo federal pretendia comprar.
A meta inicial da operação era adquirir até 127,3 mil toneladas de arroz a granel, especificamente da safra 2025/26, na classe longo-fino em casca e Tipo 1. O objetivo central da iniciativa era criar uma reserva estratégica para mitigar eventuais impactos negativos causados pelo fenômeno climático El Niño, garantindo assim a segurança do abastecimento nacional do produto.
Analistas do setor apontam que o resultado frustrado deve-se, principalmente, à falta de atratividade dos preços estabelecidos pela Conab. O governo definiu valores máximos entre R$ 80 e R$ 82 por saca, patamares que se mostraram insuficientes para estimular a participação dos produtores, uma vez que já estão alinhados ou até mesmo abaixo das cotações praticadas atualmente no mercado físico.
O cenário regional reforça essa percepção de descompasso. No Rio Grande do Sul, estado que concentra polos importantes de produção e comercialização, o arroz tem sido negociado em praças como Pelotas e no litoral em faixas que variam de R$ 80 a R$ 85 por saca. Em regiões portuárias, o valor chega a atingir R$ 90, tornando a oferta do leilão pouco competitiva para quem detém o produto e busca melhores margens de venda.
Especialistas da consultoria Safras & Mercado avaliam que a operação ocorreu em um momento inoportuno, sem que houvesse uma demanda ou pedido de auxílio por parte dos produtores. A ausência de um diferencial de preço que compensasse a venda para o governo foi determinante para que o volume negociado ficasse restrito a uma fração mínima do que foi ofertado inicialmente pela estatal.
A baixa adesão ao certame coloca em xeque a eficácia da estratégia de formação de estoques públicos nestes moldes. Com os valores oferecidos pelo governo situados abaixo do necessário para atrair uma oferta significativa, a operação não conseguiu atingir a meta de volume planejada, evidenciando a dificuldade de alinhar as expectativas governamentais com a realidade comercial observada nas diversas regiões produtoras do país.
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- Tema: Agro.
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