Resumo Minuto Regional
A safra brasileira de cacau 2025/26 encerrou com um crescimento expressivo de 25,3% em relação ao ciclo anterior, totalizando 226.497 toneladas de amêndoas recebidas entre outubro de 2025 e setembro de 2026. Os dados, compilados pelo SindiDados – Campos Consultores e divulgados pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), confirmam uma melhora na disponibilidade de matéria-prima nacional. Apenas no terceiro trimestre de 2026, o volume atingiu 71.652 toneladas, o maior patamar registrado para o período na série histórica iniciada em 2023.
O processamento industrial também apresentou sinais de reação, com a moagem alcançando 53.743 toneladas no terceiro trimestre, uma alta de 16,4% frente ao mesmo intervalo de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o setor processou 155.169 toneladas, um avanço de 7,7% na comparação anual. Apesar da recuperação, a atividade industrial ainda opera abaixo dos níveis pré-crise, registrando volumes 8,6% inferiores aos de 2024 e 18,5% menores que os de 2023.
A maior oferta interna de amêndoas impactou diretamente a balança comercial, resultando em uma queda de 57,1% nas importações de cacau entre janeiro e setembro de 2026, totalizando 18.068 toneladas. O volume foi concentrado inteiramente no primeiro trimestre, sem registros de compras externas nos dois trimestres seguintes. A AIPC ressalta que a redução não indica autossuficiência, mas reflete o ajuste do abastecimento conforme a disponibilidade interna e a demanda da indústria.
No campo das exportações, o setor de derivados de cacau registrou um salto de 54,3% no terceiro trimestre, com 17.311 toneladas embarcadas. Argentina e Estados Unidos foram os principais destinos, absorvendo cerca de 32% do volume cada. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, as exportações cresceram 10,2%, totalizando 44.050 toneladas. Em contrapartida, as importações de derivados recuaram 2% no mesmo período, somando 32.709 toneladas.
Apesar dos indicadores positivos, a AIPC alerta que o cenário ainda não representa uma recuperação estrutural consolidada. A presidente-executiva da entidade, Anna Paula Losi, enfatiza que a continuidade do crescimento depende de fatores como condições climáticas favoráveis, sanidade das lavouras, produtividade e investimentos em assistência técnica. A sustentabilidade da cadeia produtiva, segundo a associação, está condicionada à manutenção da produção nos próximos ciclos e a uma retomada mais consistente do consumo interno de derivados.
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- Tema: Agro.
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