Resumo Minuto Regional
A industrialização da soja e a expansão dos biocombustíveis foram apontadas como estratégias fundamentais para garantir a rentabilidade do produtor rural e ampliar a demanda interna pelo grão. O tema foi debatido nesta quinta-feira (17), em Ipiranga do Norte (MT), durante o painel sobre verticalização da produção de energia na Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. O encontro reuniu especialistas para discutir como o processamento da oleaginosa pode fortalecer a segurança energética e alimentar do país.
O presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, destacou que o biocombustível deixou de ser apenas uma questão de transição energética para se tornar um pilar de segurança para o agronegócio. A avaliação é que regras claras, como o cumprimento das metas da Lei do Combustível do Futuro e o aumento da mistura de biodiesel ao diesel fóssil, são essenciais para que a indústria planeje investimentos de longo prazo, independentemente das oscilações nos preços do petróleo.
A necessidade de verticalização ganha força diante de possíveis mudanças no cenário internacional, como uma eventual redução nas importações chinesas de soja brasileira. Especialistas como Tiago Stefanello, da Evermat, e o comentarista Miguel Daoud ressaltaram que processar a matéria-prima internamente, transformando-a em etanol, biodiesel e proteína animal, é uma forma de preparar o setor para novos mercados. Para que essa estratégia avance, o setor aponta como desafios a superação de gargalos de infraestrutura, a necessidade de acesso ao crédito e a garantia de previsibilidade para os produtores.
O debate também explorou modelos de economia circular, onde a soja é integrada a ciclos produtivos que aproveitam subprodutos dentro das próprias propriedades. Exemplos apresentados pela Fermap e pela Nutribras demonstraram como a transformação da proteína vegetal em ração para animais, seguida pelo tratamento de dejetos para produção de biogás e fertilizantes, permite agregar valor ao produto final. Esse sistema reduz desperdícios e possibilita que a matéria-prima percorra diversas etapas de transformação antes de chegar ao consumidor.
O sucesso dessa estratégia depende do equilíbrio entre a oferta de matéria-prima e o crescimento do consumo interno. Embora o agronegócio demonstre capacidade de resposta rápida às demandas, o setor enfatiza que o aumento da produtividade deve caminhar junto com a expansão das alternativas de uso da soja. Ao diversificar os destinos do grão, que passa a abastecer desde a indústria de combustíveis até a produção de proteína animal, o Brasil busca reduzir a dependência da exportação de commodities in natura e fortalecer a sustentabilidade econômica das cadeias produtivas.
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- Tema: Agro.
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