Resumo Minuto Regional
O acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) tem data oficial para começar a operar: 1º de novembro de 2026. A confirmação foi feita pelo cônsul-geral da Noruega no Rio de Janeiro, Trond Gabrielsen, nesta quarta-feira (16). O tratado, que visa estreitar os laços econômicos entre as regiões, foi assinado em setembro de 2025 e abrange diversos setores produtivos com cronogramas específicos de redução tarifária.
A implementação do pacto deve impactar diretamente o fluxo de mercadorias entre os blocos, que somam uma área de 300 milhões de consumidores. A expectativa é que o Brasil ganhe acesso direto a um mercado de 14,3 milhões de europeus. Para a Noruega, o acordo prevê a eliminação de tarifas para mais de 50% de suas exportações. Um dos exemplos citados pelo diplomata é o salmão, que atualmente enfrenta uma taxa de 10% para entrar no mercado brasileiro e passará a ter tarifa zero.
Para os demais produtos incluídos no acordo, a redução das taxas não será imediata, ocorrendo de forma gradual. O cronograma estabelecido para essas mudanças varia entre quatro e 15 anos, dependendo da categoria do item comercializado. Essa estratégia visa permitir uma transição adaptada às necessidades dos setores envolvidos, promovendo uma integração econômica mais estável entre os países do Mercosul e os membros da Efta.
A relação entre Brasil e Noruega já é consolidada, com o Brasil ocupando a posição de principal parceiro comercial norueguês na América Latina e o quinto maior destino de investimentos do país nórdico no mundo. Em 2024, o estoque de investimentos da Noruega em território brasileiro atingiu a marca de US$ 14 bilhões. Esse volume apresentou um crescimento de US$ 2 bilhões entre 2022 e 2023, impulsionado principalmente por aportes no setor de energias renováveis.
O setor de óleo e gás também é um pilar central dessa cooperação. Atualmente, mais de 80 empresas norueguesas do segmento offshore operam no Brasil, fornecendo tecnologias avançadas em automação, perfuração e operações voltadas à redução de emissões. O mercado brasileiro é considerado um dos mais estratégicos para a indústria offshore da Noruega, reforçando a importância do novo tratado para a continuidade e o fortalecimento dessas parcerias tecnológicas e comerciais.
Com a proximidade da entrada em vigor do acordo em novembro de 2026, a expectativa é de que o cenário de trocas comerciais entre as nações ganhe maior dinamismo. A redução das barreiras tarifárias e a ampliação do acesso a mercados são os principais eixos que devem nortear a nova etapa da integração econômica, consolidando o papel do Brasil como um destino prioritário para o capital e a tecnologia norueguesa nos próximos anos.
Contexto da publicação
- Tema: Agro.
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