Resumo Minuto Regional
A expansão da produção de etanol de milho no Brasil caminha para um possível ponto de saturação, conforme alerta o consultor de inteligência de mercado da Grão Direto, Clayton Melo. Durante o evento The New Agro, realizado em São Paulo, o especialista pontuou que o ritmo acelerado de novas unidades industriais pode fazer com que a oferta do combustível supere a demanda interna. Esse cenário exige cautela das empresas do setor, especialmente diante dos reflexos que o aumento da produção pode gerar para as usinas de cana-de-açúcar, que já enfrentam um momento de preços mais baixos para o açúcar.
Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmam a mudança na matriz produtiva nacional. Na safra 2025/26, o Brasil produziu 37,5 bilhões de litros de etanol, um crescimento de 0,8%. O destaque foi o milho, que respondeu por 10,17 bilhões de litros, um salto de 29,8% e uma fatia de 27% do total. Em contrapartida, o etanol de cana registrou uma queda de 6,9%, somando 27,33 bilhões de litros. Esse movimento reflete uma alteração estrutural na composição do biocombustível disponível no mercado brasileiro.
O consumo de etanol hidratado, por sua vez, apresentou uma retração de 5,9% em 2025, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), impactado pela perda de competitividade frente à gasolina. Em contraste, o etanol anidro teve alta de 3,1% na produção, impulsionado pela elevação da mistura obrigatória na gasolina de 27% para 30%, ocorrida em agosto daquele ano. A viabilidade econômica do setor permanece, portanto, atrelada à paridade de preços com os combustíveis fósseis e às políticas de mistura.
Para mitigar os riscos de excedente, o setor aposta em novos mercados. Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que a produção de combustível sustentável de aviação a partir do etanol pode demandar entre 900 milhões e 3,9 bilhões de litros até 2035. Além disso, o setor de transporte aquaviário deve começar a consumir o produto a partir de 2034, com uma previsão inicial de 65 milhões de litros para o ano seguinte, abrindo novas frentes de escoamento para a produção nacional.
Regionalmente, a presença das usinas de milho já altera a dinâmica do agronegócio. Gustavo Trevizoli, diretor de originação da Cofco, ressaltou que a indústria de etanol tornou-se protagonista na definição de preços locais, reduzindo a dependência da exportação e incentivando o plantio nas áreas próximas às plantas. A demanda das usinas, somada ao uso da infraestrutura logística em períodos de entressafra da soja, deve continuar sendo o principal fator de formação de margens e preços para o milho nos próximos anos, consolidando o impacto da industrialização do grão no interior do país.
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- Tema: Agro.
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