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Estatueta encontrada há 120 anos no litoral de SP ainda desafia arqueólogos; entenda

Santos•Educação•Atualizado há 19 d
Estatueta encontrada há 120 anos no litoral de SP ainda desafia arqueólogos; entenda
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• O que aconteceu:Uma pequena escultura de pedra, encontrada há 120 anos no litoral de São Paulo, permanece como um dos maiores enigmas da arqueologia brasileira. Descoberta em 1906 por caiçaras no Sambaqui do Morro Grande, em Iguape, a peça ficou conhecida como Ídolo de Iguape. O objeto foi entregue ao naturalista alemão Ricardo Krone, que atuava na região pela Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo, e hoje integra o acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP).
• Onde:Santos/SP
• Quem é afetado:Moradores e comunidade de Santos
• O que acontece agora:Acompanhamento dos desdobramentos oficiais pela redação

Resumo Minuto Regional

Uma pequena escultura de pedra, encontrada há 120 anos no litoral de São Paulo, permanece como um dos maiores enigmas da arqueologia brasileira. Descoberta em 1906 por caiçaras no Sambaqui do Morro Grande, em Iguape, a peça ficou conhecida como Ídolo de Iguape. O objeto foi entregue ao naturalista alemão Ricardo Krone, que atuava na região pela Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo, e hoje integra o acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP).

O artefato antropomorfo possui cerca de 9 centímetros de altura, 8 de comprimento e 3,2 de espessura. Sua raridade é o principal fator de interesse científico, uma vez que representações humanas são pouco frequentes entre as esculturas produzidas pelos sambaquieiros, grupos de caçadores-coletores que habitavam o litoral e construíam sítios arqueológicos a partir do acúmulo de conchas e vestígios. Enquanto a peça original está preservada na capital paulista, o Museu Municipal de Iguape mantém uma réplica para visitação pública.

No início do século 20, Krone propôs que a estatueta teria origem andina, sugerindo uma possível migração ou troca cultural entre povos distantes. Essa interpretação, publicada em 1911, refletia as correntes teóricas da época, que buscavam explicar a origem dos sambaquieiros através de influências externas. O naturalista chegou a comparar o objeto com artefatos da cultura calchaqui, acreditando que os grupos litorâneos teriam perdido e depois recuperado habilidades técnicas durante um longo deslocamento geográfico.

A arqueologia contemporânea, contudo, refuta a hipótese de uma origem estrangeira. Especialistas como o professor Paulo DeBlasis, do MAE-USP, e o arqueólogo Manoel Gonzalez afirmam que a peça é, de fato, uma produção cultural dos próprios sambaquieiros. Estudos atuais destacam que esses grupos possuíam uma cultura sofisticada e capacidade técnica para criar esculturas complexas, tornando desnecessária a atribuição da peça a sociedades externas. A raridade da representação humana, comparada à abundância de figuras de animais, é o que mantém o objeto como um item singular.

Apesar dos avanços nas pesquisas, a função específica e a datação exata do Ídolo de Iguape permanecem desconhecidas. A possibilidade de um uso ritualístico é considerada pelos pesquisadores, mas o significado profundo da estatueta segue em aberto. O entendimento completo do artefato depende, segundo especialistas, de novas descobertas que permitam situar a peça dentro do contexto mais amplo da vida e dos costumes dos povos que ocuparam o Vale do Ribeira no período pré-colonial.

Para além do valor científico, o Ídolo de Iguape consolidou-se como um símbolo da memória regional. A importância histórica da peça é reconhecida pela cidade de Iguape, que homenageou o achado com um monumento de 12 toneladas, esculpido em pedra gnaisse pelo artista local Yago Tauá Rodrigues, instalado na orla do Mar Pequeno. O objeto continua a servir como um elo entre a ocupação contemporânea do Vale do Ribeira e as populações que habitaram o litoral paulista há séculos.

📍 Contexto RegionalO fato possui recorte confirmado para Santos/SP, município localizado na região de Santos.

Contexto da publicação

  • Localidade: Santos/SP.
  • Tema: Educação.
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