Resumo Minuto Regional
O Ministério de Minas e Energia (MME) iniciou nesta quinta-feira (8) a consulta pública para o Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036). O documento, elaborado em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estima a necessidade de R$ 3,3 trilhões em investimentos entre 2027 e 2036. O montante será destinado à modernização da infraestrutura energética nacional e à ampliação da oferta, incluindo a construção de 31,9 mil quilômetros de novas linhas de transmissão.
As projeções indicam um crescimento médio anual de 3,4% no consumo de eletricidade, que deve atingir 979 terawatt-hora (TWh) ao final do período. Para suprir essa demanda, a capacidade de geração elétrica está planejada para saltar de 829 TWh em 2026 para 1.133 TWh em 2036. A matriz elétrica brasileira deve manter um índice de renovabilidade próximo a 90%, impulsionada pelo avanço das fontes eólica e solar, que juntas representarão cerca de um terço da geração total em 2036, superando os 28,1% previstos para 2026.
O planejamento introduz novas tecnologias para garantir a estabilidade do sistema, como a previsão de 7,2 gigawatts (GW) em sistemas de baterias e a inclusão, pela primeira vez, de usinas hidrelétricas reversíveis, com estimativa de 2,0 GW. O setor de micro e minigeração distribuída também apresenta forte perspectiva de crescimento, com a expectativa de saltar de 50 GW em 2026 para 92 GW em 2036.
No campo dos combustíveis, o plano projeta um aumento significativo na produção de biocombustíveis. O etanol deve subir de 41,3 bilhões para 52,7 bilhões de litros, enquanto o biodiesel passará de 10,6 bilhões para 14,8 bilhões de litros. O PDE 2036 também aponta o potencial para o diesel verde e o biometano. Para os combustíveis fósseis, a estimativa é de 4,9 milhões de barris de petróleo por dia em 2036 e uma produção líquida de gás natural de 135 milhões de metros cúbicos diários, o que representaria uma alta de 86% em relação a 2026.
A participação das fontes renováveis na matriz energética total, que engloba transportes, indústria e residências, deve subir de 50,2% para 51,2%. O documento completo, que detalha as perspectivas para a próxima década, está disponível para análise e contribuições da sociedade. Os interessados em participar do processo de consulta pública têm até o dia 6 de novembro para enviar suas considerações sobre as diretrizes apresentadas pelo governo federal para o setor energético.
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