Resumo Minuto Regional
A cheia do Rio Ribeira de Iguape, que atingiu o Vale do Ribeira entre a segunda e a terceira semana de setembro, causou danos severos à bananicultura local. Levantamentos da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar) indicam que 11,2 milhões de pés de banana foram afetados, em uma área de aproximadamente 7 mil hectares. O prejuízo inicial na região é estimado em R$ 175 milhões, sendo necessários cerca de R$ 210 milhões para a recuperação das áreas produtivas. Além da banana, que representa 84% do valor da produção agropecuária regional, setores como palmito pupunha, pecuária leiteira e laticínios também sofreram impactos.
O cenário crítico foi desencadeado por chuvas contínuas nos estados de São Paulo e Paraná, que elevaram o nível do Rio Ribeira de Iguape em cerca de 10 metros acima do normal. O transbordamento resultou em alagamentos em diversos municípios, levando Eldorado, Registro, Ribeira, Iporanga e Barra do Turvo a decretarem situação de emergência. A Defesa Civil do Estado informou que centenas de pessoas foram desalojadas, sendo necessário o estabelecimento de 19 abrigos em seis cidades para atender a população afetada.
Para auxiliar na retomada, o governo estadual de São Paulo anunciou a prorrogação de parcelas do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) com vencimento até o final de 2026 para 2027, medida que deve ser solicitada em Casas da Agricultura ou escritórios do Itesp. Uma linha de crédito emergencial está em fase de estruturação, e 25 técnicos da Secretaria de Agricultura realizarão vistorias nas propriedades assim que o nível da água baixar e o acesso for seguro. O acompanhamento incluirá orientações específicas para a recuperação dos bananais.
O governo federal também destinou auxílios, incluindo o repasse de R$ 2,8 milhões para os municípios, o envio de 3 mil cestas básicas e R$ 1,5 milhão para a compra de alimentos. Trabalhadores atingidos podem solicitar o saque calamidade do FGTS, limitado a R$ 6,2 mil. Para comunidades quilombolas, o Incra disponibilizou crédito de até R$ 50 mil por unidade, enquanto o Itesp mobilizou servidores para realizar levantamentos técnicos junto a 344 famílias em sete comunidades.
A Abavar ressalta que a recuperação da bananicultura é uma questão social e econômica vital para a região, dado o envolvimento de milhares de produtores e trabalhadores na cadeia produtiva. A entidade defende uma ação conjunta entre governos, instituições financeiras e órgãos técnicos para viabilizar a reestruturação das lavouras. O presidente da associação, Augusto Aranha, destacou que o recuo das águas marca o início de uma etapa complexa, que exigirá meses de trabalho e investimentos para que os produtores consigam retomar suas atividades e garantir a sustentabilidade do setor.
Contexto da publicação
- Localidade: Santos/SP.
- Tema: Clima.
- 1 fonte consultada nesta publicação.
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