Resumo Minuto Regional
O governo brasileiro poderá utilizar o excedente da cota de exportação de carne bovina destinada ao Uruguai para o mercado chinês. A informação foi divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após reunião bilateral com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York, durante a semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. O acordo entre os dois países vizinhos visa contornar as limitações impostas pela China às importações da proteína brasileira, que atingiram o limite máximo estabelecido para o ano de 2026 com sete meses de antecedência.
A China implementou, desde janeiro de 2026, um sistema de cotas para proteger seus produtores internos diante da competitividade dos preços praticados por grandes exportadores, como o Brasil. Enquanto o Brasil teve direito a 1,1 milhão de toneladas, o Uruguai possui uma cota de 324 mil toneladas para o mesmo período, volume que deve subir para 331 mil toneladas em 2027. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram o impacto dessa restrição: após atingir 158,3 mil toneladas em junho, as exportações brasileiras para o país asiático caíram para cerca de 16,1 mil toneladas em agosto.
O aproveitamento do excedente uruguaio depende, contudo, de uma autorização formal das autoridades chinesas. Até o momento, não houve manifestação oficial por parte do Ministério do Comércio da China ou da Embaixada chinesa no Brasil sobre a viabilidade da transferência de cotas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes informou que tomou conhecimento da possibilidade por meio da declaração do presidente e ainda não possui um posicionamento técnico sobre como a medida seria operacionalizada.
A expectativa do setor produtivo brasileiro baseia-se no baixo índice de utilização da cota uruguaia. Levantamentos indicam que, até meados de julho, o Uruguai havia escoado menos de 30% do volume total a que tinha direito, o que representaria aproximadamente 97 mil toneladas disponíveis. O Brasil busca desde o início do ano o aval chinês para absorver volumes não utilizados por outros países parceiros, uma estratégia para mitigar os efeitos da salvaguarda asiática, que deve permanecer em vigor até o final de 2028.
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- Tema: Agro.
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