Resumo Minuto Regional
A cota de exportação de carne bovina brasileira destinada ao mercado chinês em 2027 corre o risco de ser totalmente consumida já em março, caso não seja implementado um mecanismo de distribuição dos embarques ao longo do ano. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, que destacou a necessidade de um planejamento estratégico para evitar a interrupção prematura das vendas para o principal parceiro comercial do setor.
O cenário atual é definido por uma cota estabelecida pela China de 1,128 milhão de toneladas para 2027, um aumento em relação ao limite de 1,106 milhão de toneladas vigente em 2024. Caso o volume exportado ultrapasse esse teto, a carne brasileira continuará sendo aceita no país asiático, porém estará sujeita a uma tarifa adicional de 55% sobre a alíquota já aplicada. Essa salvaguarda, que vigora entre 2026 e 2028, prevê um crescimento gradual do limite, chegando a 1,151 milhão de toneladas no último ano do período.
A preocupação da Abiec fundamenta-se na velocidade com que o limite foi atingido em 2026. Dados do Ministério do Comércio da China indicam que, em 9 de maio, metade da cota anual já havia sido utilizada. O ritmo acelerado continuou nos meses seguintes, alcançando 80% do volume em 21 de julho e 90% em 10 de agosto. Esse esgotamento antecipado provocou uma queda drástica nas vendas, com os embarques recuando cerca de 90% em agosto, cenário que deve se repetir ao longo de setembro.
O impacto para a indústria tem sido severo, com o setor enfrentando margens reduzidas e a necessidade urgente de redirecionar a produção para outros mercados internacionais. Entre janeiro e junho deste ano, a China adquiriu 794,7 mil toneladas de carne bovina do Brasil, um crescimento de 24% em comparação ao mesmo período de 2025, gerando uma receita de US$ 4,87 bilhões. A instabilidade gerada pela proximidade do limite da cota tem dificultado a manutenção desse fluxo comercial.
Para mitigar os riscos, a Abiec mantém negociações com o governo brasileiro visando a criação de um modelo de gestão para os volumes exportados. A proposta em discussão sugere a divisão das parcelas da cota entre os frigoríficos, utilizando critérios como a participação de mercado e o histórico de exportações de cada empresa. O debate também busca incluir a situação de novas unidades frigoríficas que foram recentemente habilitadas para operar com o mercado chinês.
A entidade ressalta que, sem um controle eficiente, a antecipação das vendas pode se tornar uma tendência recorrente, concentrando os negócios entre o final de um ano e o início do seguinte. A proposta definitiva para a administração desses volumes ainda está em fase de elaboração pela associação. O objetivo central é garantir previsibilidade para o setor e evitar que a cota seja exaurida nos primeiros meses do ano, protegendo a competitividade da carne brasileira diante da sobretaxa tarifária imposta pela China.
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- Tema: Agro.
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