Resumo Minuto Regional
A produção brasileira de sorgo registrou um salto expressivo em 2024, alcançando cerca de 7,5 milhões de toneladas, frente às 6 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. O crescimento é impulsionado pela abertura do mercado chinês, pela expansão do uso do cereal na fabricação de etanol e pela maior resiliência da cultura ao déficit hídrico. Goiás lidera o ranking nacional com 2 milhões de toneladas, seguido por Minas Gerais, com 1,4 milhão. O avanço também atinge novas fronteiras, como o Matopiba, onde o Maranhão se destaca com um aumento de 110% na produção regional.
A demanda externa vive um momento de transformação. Após exportar 180 mil toneladas em 2024, o Brasil superou a marca de 250 mil toneladas até o mês passado. A abertura do mercado da China, maior importador mundial do cereal, projeta um cenário de crescimento acelerado. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), os embarques mensais possuem potencial para atingir 1 milhão de toneladas. Esse aquecimento já reflete no mercado interno, onde, em situações pontuais, o preço do sorgo superou o do milho, um comportamento atípico para o setor.
Na indústria de biocombustíveis, o sorgo consolidou-se como uma alternativa estratégica. Quatro usinas já operam com o processamento do cereal em Balsas (MA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Ulianópolis (PA) e Sidrolândia (MS). A viabilidade industrial é facilitada pela semelhança entre o processamento de milho e sorgo, exigindo apenas ajustes técnicos menores nas plantas. Além do etanol, o processo gera o DDG, um coproduto de alto valor nutricional utilizado na alimentação de aves, suínos e bovinos, reforçando a integração entre agricultura, energia e pecuária.
No campo, a resistência do sorgo ao estresse hídrico permite que ele ocupe áreas de segunda safra onde o cultivo do milho apresenta riscos elevados devido à instabilidade climática. A cultura exige menos insumos, como fertilizantes, e não é afetada pela cigarrinha-do-milho, reduzindo a necessidade de aplicações de inseticidas. Contudo, especialistas alertam que a produtividade do sorgo é inferior à do milho, exigindo que o produtor avalie custos, rendimento e preço antes da escolha. O manejo adequado, incluindo a adubação correta, é essencial para evitar o esgotamento do solo.
O futuro do setor aponta para uma expansão contínua. Projeções da Embrapa indicam que o Brasil pode dobrar sua produção, alcançando 15 milhões de toneladas entre 2030 e 2035. Esse crescimento deve ser sustentado pelo aumento da produtividade e pela ocupação de áreas que hoje ficam ociosas após a colheita da soja. Para viabilizar esse volume, o setor busca diversificar a logística de exportação, explorando rotas alternativas como o Porto de Tubarão, no Espírito Santo, para otimizar o escoamento e garantir a segregação do produto.
Contexto da publicação
- Localidade: Santos/SP.
- Tema: Agro.
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