Resumo Minuto Regional
A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de Itanhaém, no litoral de São Paulo. A investigação, conduzida em conjunto com o Ministério Público, aponta que o grupo criminoso buscava direcionar licitações para garantir a vitória de empresas ligadas aos envolvidos, utilizando interferências nos processos administrativos para assegurar contratos.
O esquema envolvia a divisão dos valores obtidos com os serviços, sendo uma parte destinada ao pagamento de vantagens indevidas e outra parcela repassada à facção. Entre as provas reunidas pelos investigadores estão mensagens de texto trocadas por José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, apontados como laranjas e sócios da empresa Translider. Os diálogos mencionam Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como liderança do grupo criminoso.
A apuração indica que a Translider era gerida por Paulo Siqueira Korek Farias, identificado como testa de ferro da facção. Em uma das conversas interceptadas, Korek tratou da venda de 63 ônibus por R$ 1,26 milhão, com previsão de comissões para os envolvidos, utilizando a conta bancária da A2 Transportes para o recebimento dos valores. Outros investigados, como José Ronaldo Alves de Sales e Eduardo Medeiros, são suspeitos de atuar na intermediação entre integrantes da facção e agentes políticos.
A Prefeitura de Itanhaém declarou que não é alvo da operação e que nenhum servidor ou departamento municipal foi incluído nos mandados. Segundo a administração, o processo licitatório do transporte público, concluído em novembro de 2021, seguiu a legislação vigente sob acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado. A vencedora foi a Expresso Fênix Ltda., que em 2024 transferiu o mercado para a Sancetur, operadora atual sob o nome fantasia Sou Transporte.
A gestão municipal reforçou que nenhuma das 12 empresas citadas na operação participou de licitações no município desde 2021. O contrato atual possui vigência de 15 anos, com possibilidade de prorrogação, o que impede a abertura de novos processos licitatórios antes de 2036 ou 2051. A prefeitura afirmou que não teve acesso às conversas interceptadas e que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Contexto da publicação
- Localidade: Santos/SP.
- Tema: Segurança.
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