Resumo Minuto Regional
A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) protocolou uma representação junto ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a também deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL). A ação, apresentada na segunda-feira (5), aponta a prática de transfobia e violência política de gênero contra a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL). O caso foi motivado por uma publicação feita por Campopiano na rede social X após o resultado das eleições de 2026, na qual a vereadora de Praia Grande afirmou que Hilton seria um "homem biológico" e questionou sua ocupação de espaços políticos.
A postagem de Campopiano, que superou a marca de três milhões de visualizações, motivou o pedido de Sofia Favero ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP. A parlamentar solicita a instauração de um inquérito policial para apurar a conduta, argumentando que o episódio ultrapassa o limite da crítica política ou da liberdade de expressão. Segundo a representação, o conteúdo configura um ataque direto a mulheres trans, ferindo dispositivos legais que protegem o exercício de direitos políticos e coíbem o assédio ou a humilhação de candidatas e detentoras de mandatos.
O embasamento jurídico da denúncia cita o artigo 359-P do Código Penal, que trata da violência para restringir direitos políticos em razão do sexo, e o artigo 326-B do Código Eleitoral, que pune atos de menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Erika Hilton, que se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos, confirmou que a equipe de Sofia Favero está conduzindo os trâmites legais. Até o momento, a assessoria de Eduarda Campopiano não se manifestou sobre as acusações apresentadas ao órgão ministerial.
Eduarda Campopiano, influenciadora digital de 23 anos, ganhou projeção nacional através de pautas conservadoras e alinhadas ao bolsonarismo. Eleita vereadora de Praia Grande em 2024 com 3.583 votos, ela se tornou a parlamentar mais jovem da história daquela câmara municipal. Nas eleições de 2026, obteve 1.956.238 votos, consolidando-se como a candidata ao cargo de deputada estadual mais votada no estado de São Paulo. Sua campanha, financiada majoritariamente pelo diretório nacional do PL, focou intensamente no impulsionamento de conteúdos em redes sociais.
A trajetória política de Campopiano tem sido marcada por controvérsias. Antes do episódio envolvendo Erika Hilton, a parlamentar enfrentou uma denúncia por preconceito de raça ou cor, registrada pela liderança indígena Katú Mirim. O caso ocorreu após declarações de Campopiano em um podcast, nas quais associou povos indígenas a práticas de canibalismo e sacrifícios ao comentar a colonização do Brasil. A parlamentar, que defende pautas como o porte de armas e a oposição a políticas de cotas, segue como uma das figuras centrais da nova geração de políticos conservadores que ascenderam via internet.
Contexto da publicação
- Localidade: Campinas/SP.
- Tema: Política.
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