Resumo Minuto Regional
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um método sustentável para extrair cafeína e antioxidantes das cascas das sementes de guaraná, um subproduto que costuma ser descartado pela indústria. A técnica utiliza uma mistura à base de açúcares e compostos naturais, como glicose, ácido cítrico e 1,3-propanodiol, substituindo solventes tóxicos e voláteis, como o metanol, que são tradicionalmente empregados nesse tipo de processamento.
A inovação elimina a necessidade de etapas adicionais para a remoção de resíduos químicos, uma vez que o extrato obtido já sai pronto para o uso industrial. Além de tornar o processo mais seguro, a nova formulação reduz o tempo de preparo e o consumo de energia. Os componentes do solvente, como o ácido cítrico e a glicose, também conferem propriedades benéficas ao produto final, atuando na estabilidade, viscosidade e hidratação, o que amplia o interesse dos setores de cosméticos e bioprodutos.
O aproveitamento desse material ganha relevância diante da produção nacional de guaraná. Segundo dados do IBGE, o Brasil produziu cerca de 2.460 toneladas de sementes em 2025. Como a semente corresponde a apenas uma pequena fração do peso total do fruto, o volume de cascas gerado é expressivo. A transformação desse resíduo em matéria-prima valiosa representa uma oportunidade estratégica para a bioeconomia, valorizando a biodiversidade brasileira e reduzindo o desperdício.
O desenvolvimento do projeto envolveu uma colaboração internacional, contando com a participação de especialistas da Universidad Politécnica de Madrid e do Instituto de Investigación en Ciencias de la Alimentación, na Espanha, além da Universidad de la República, do Uruguai. A integração de conhecimentos permitiu validar a eficácia do solvente à base de açúcar na extração de substâncias como a guaranina, catequina, epicatequina e procianidina B2.
Como próximos passos, a equipe de pesquisa planeja expandir a tecnologia para outros resíduos da biodiversidade nacional. Entre as possibilidades estudadas estão o uso de cascas de outras frutas e a substituição de insumos da fórmula, como a troca da glicose por mel. O grupo busca agora estabelecer parcerias com empresas interessadas em aplicar essas novas tecnologias no desenvolvimento de produtos comerciais, consolidando o potencial de escala do método.
Contexto da publicação
- Localidade: Campinas/SP.
- Tema: Educação.
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