Resumo Minuto Regional
O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a prisão de Danilo Morgado, candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL), após a realização de audiência de custódia. O político, que reside em Praia Grande há duas décadas, foi detido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil paulista para apurar a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no setor de transporte coletivo. Ao todo, 17 pessoas são alvos das investigações.
A apuração policial indica que a campanha de Morgado à Prefeitura de Praia Grande, ocorrida em 2024, teria sido financiada pela organização criminosa. Documentos da investigação apontam a existência de mensagens trocadas entre o candidato e membros da facção, nas quais seriam discutidos o aporte e a interrupção de verbas destinadas a campanhas eleitorais. O processo que apura esses vínculos tramita atualmente sob segredo de Justiça.
Durante a audiência de custódia, o Poder Judiciário verificou a legalidade do cumprimento do mandado de prisão. Como não foram constatadas irregularidades na execução da ordem judicial, a magistratura decidiu pela manutenção da custódia do investigado. O caso é um desdobramento de uma investigação mais ampla que busca desarticular a influência de grupos criminosos em esferas políticas e administrativas do estado.
Danilo Morgado, empresário de 41 anos, possui histórico de atuação política na região da Baixada Santista. Ele disputou a prefeitura de Praia Grande em 2020 e 2024, sem sucesso em ambas as tentativas. Em 2023, o registro de sua candidatura anterior já havia sido alvo de uma decisão de cassação pela Justiça Eleitoral, sob a fundamentação de abuso de poder econômico durante o pleito de 2020, envolvendo também sua então vice, Indaiá Amaral Dias.
A defesa de Morgado, representada pelo advogado Marcelo Viela, contesta as acusações. Em nota, o defensor afirmou que, após analisar os autos, não encontrou elementos objetivos que comprovem o recebimento de vantagens financeiras ou favorecimentos ilícitos relacionados às eleições de 2024. Segundo a defesa, as menções ao crime organizado presentes no processo referem-se a fatos pretéritos atribuídos a outros investigados, sem vínculo direto com o cliente.
O advogado reforçou que continuará adotando as medidas jurídicas necessárias para esclarecer os fatos e buscar a liberdade do investigado. Enquanto o processo segue em segredo, a Polícia Civil prossegue com as diligências da Operação Vectura Corrupta para identificar a extensão da participação dos demais investigados no esquema de infiltração criminosa. O desfecho das próximas etapas judiciais dependerá da análise das provas coletadas durante a fase de inquérito.
Contexto da publicação
- Localidade: Santos/SP.
- Tema: Segurança.
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