Resumo Minuto Regional
As exportações brasileiras de carne bovina registraram uma queda de 35,1% em setembro de 2026, totalizando 229,3 mil toneladas frente às 353,1 mil toneladas do mesmo mês do ano anterior. O faturamento recuou 27,6%, atingindo US$ 1,38 bilhão. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o desempenho foi fortemente impactado pela redução drástica nas vendas para a China, principal parceiro comercial do setor, que sofreu uma retração de 93,2% no volume importado no período.
A queda nas exportações para o mercado chinês, que somaram apenas 12,9 mil toneladas em setembro, reflete a aplicação de salvaguardas comerciais. Esse cenário encerrou um trimestre de declínio consecutivo no fluxo de embarques para o país asiático, após um primeiro semestre de forte movimentação. O presidente da Abiec, Roberto Perosa, destacou que o setor enfrentou dificuldades operacionais entre julho e setembro devido a essas restrições, ressaltando que, embora a indústria tenha demonstrado alta capacidade produtiva no início do ano, a demanda chinesa ainda não possui substitutos imediatos com o mesmo peso econômico.
Em contrapartida, outros mercados ampliaram significativamente a compra de carne brasileira. Os Estados Unidos se destacaram com um crescimento de 389% no volume importado em setembro, atingindo 48,3 mil toneladas e US$ 313,8 milhões em receita. Outros destinos também apresentaram expansão expressiva, como a Indonésia, com alta de 822%, e o Canadá, com 870,7%. O Chile, a Rússia e a União Europeia também registraram aumentos nas importações, embora o bloco europeu tenha enfrentado interrupções no fluxo a partir de setembro devido a novas exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos.
No acumulado de 2026, o cenário é mais equilibrado. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas, volume apenas 0,5% inferior ao mesmo período de 2025. A receita total no ano subiu 14,1%, alcançando US$ 14,17 bilhões. A China mantém a liderança como principal destino, respondendo por 37,5% do volume total exportado e 39,4% do faturamento setorial nos nove meses iniciais.
Para os próximos meses, o setor frigorífico concentra esforços no planejamento para o novo ciclo da cota chinesa. A Abiec mantém diálogos com o governo federal para buscar estratégias que permitam uma distribuição mais equilibrada dos embarques ao longo de 2027, evitando a concentração de vendas que sobrecarrega o início do ano. As empresas já iniciaram a organização de contratos para que os produtos enviados a partir de outubro e novembro sejam contabilizados no próximo ciclo comercial. A carne in natura permanece como o principal item da pauta exportadora, representando 85,1% do volume total embarcado em setembro.
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- Tema: Agro.
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