Resumo Minuto Regional
O Brasil atingiu um patamar recorde de afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais em 2025. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária, um crescimento de 15,66% em relação ao ano anterior. Entre os diagnósticos mais frequentes, destacam-se os transtornos de ansiedade, com 166.489 casos, e os episódios depressivos, que somaram 126.608 concessões, consolidando uma tendência de alta que já vinha sendo monitorada pelo Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho.
Especialistas apontam que o cenário reflete um adoecimento estrutural, onde fatores como sobrecarga, jornadas prolongadas, pressão constante, falta de autonomia e conflitos internos desempenham papéis determinantes. Embora nem todo transtorno mental tenha origem laboral, a forma como as atividades são organizadas pode agravar riscos psicossociais. A Organização Internacional do Trabalho reforça que a análise desses riscos deve considerar não apenas as tarefas, mas a gestão do trabalho como um todo, incluindo aspectos como assédio e insegurança.
Para as empresas, o desafio consiste em identificar sinais de alerta antes que o quadro evolua para o afastamento. Indicadores como aumento de faltas pontuais, queda na produtividade, alta rotatividade, excesso de horas extras e mudanças comportamentais — como isolamento ou irritabilidade — são pontos de atenção. O monitoramento eficaz exige uma abordagem integrada, que combine a análise de dados de Recursos Humanos com pesquisas de clima e diálogos constantes entre gestores e suas equipes.
A inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, conforme a nova NR-01, impõe que as organizações tratem o tema de forma estruturada. A norma exige que os fatores relacionados à organização do trabalho sejam identificados, avaliados e integrados ao planejamento de medidas preventivas. O alerta dos especialistas é para que as empresas evitem ações meramente formais ou genéricas, priorizando a investigação das causas reais do adoecimento para garantir que as intervenções sejam efetivas.
A saúde mental passa a ser tratada como um indicador estratégico, impactando diretamente a sustentabilidade do negócio e a produtividade. A recomendação é que o tema deixe de ser uma responsabilidade exclusiva do RH e integre as decisões de liderança. O processo de prevenção deve começar por um diagnóstico preciso das condições de trabalho, ouvindo os colaboradores e avaliando a rotina operacional. Somente a partir desse levantamento é possível estabelecer medidas preventivas que conectem a saúde do trabalhador aos resultados da organização.
Contexto da publicação
- Localidade: Santos/SP.
- Tema: Política.
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