Resumo Minuto Regional
A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) apresentou uma proposta técnica aos candidatos à Presidência da República com o objetivo de reduzir em R$ 109,1 bilhões anuais o valor da conta de luz no país. O plano, intitulado “Energia, soberania e competitividade: uma escolha para o Brasil”, foca na revisão de encargos e subsídios, no aprimoramento das normas regulatórias e na otimização dos processos de contratação de energia elétrica.
A entidade defende a implementação de barreiras contra a criação de novos custos para os consumidores e sugere que o Fundo Social, que recebe recursos do petróleo, assuma o financiamento de encargos setoriais e políticas públicas atualmente embutidos nas tarifas. A proposta já foi debatida com representantes das equipes de diversos presidenciáveis, incluindo Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos, buscando alinhar o setor elétrico às necessidades de competitividade da indústria nacional.
O debate ganha força no Congresso Nacional por meio da tramitação da Lei de Responsabilidade Tarifária. O projeto visa estabelecer mecanismos de controle similares aos da Lei de Responsabilidade Fiscal, com o intuito de frear o aumento constante de taxas e subsídios. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) corroboram a urgência do tema, ao apontar que os encargos setoriais registraram um crescimento de 300% nos últimos 15 anos, com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) atingindo um orçamento previsto de R$ 52,7 bilhões para 2026.
O impacto desses custos é direto na produção de itens essenciais. Segundo o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, a energia compõe 29,8% do custo do pão e 27,2% do preço da carne. No setor de construção civil, a representatividade é ainda maior, alcançando 43,9% nos revestimentos de pisos e paredes e 31,6% no cimento. A entidade argumenta que a redução desses valores é fundamental para que a energia seja competitiva e não onere excessivamente o preço final dos produtos.
Além da eletricidade, a agenda contempla medidas para o mercado de gás natural. Entre as recomendações estão a fixação de metas de reinjeção para novos campos, a realização de leilões de gás da União voltados ao setor industrial, a redução das tarifas de distribuição e a efetivação do programa de desconcentração de mercado, conhecido como gas release, já autorizado pelo Ministério de Minas e Energia. A revisão estrutural desses custos e a ampliação da oferta de gás compõem o eixo central da estratégia apresentada pela associação para o futuro do setor energético brasileiro.
Contexto da publicação
- Localidade: Santos/SP.
- Tema: Agro.
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